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Uma investigação que propõe uma mudança profunda no ensino da língua portuguesa em Moçambique valeu a classificação máxima na Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes (FCLCA) da Universidade Pedagógica de Maputo. O docente e investigador Lucílio Orlando Manjate obteve 20 valores na defesa da tese de doutoramento intitulada “Estudo das representações discursivas das narrativas sobre Magaíza: um contributo para a didáctica da língua portuguesa”.
Realizada a 7 de Julho, a defesa foi considerada de excelência pelo júri do Programa de Doutoramento em Ciências da Linguagem Aplicadas ao Ensino de Línguas, tornando-se uma das raras teses a alcançar a nota máxima.
Mais do que estudar a figura do Magaíza, o trabalhador migrante moçambicano que regressa das minas da África do Sul, a investigação analisa a forma como diferentes gerações de escritores moçambicanos o representaram e demonstra como essas narrativas podem ser utilizadas para melhorar o ensino da língua portuguesa.
Em entrevista concedida ao O País, Manjate explica que o objectivo foi compreender os discursos presentes nas obras literárias produzidas desde o período colonial até à actualidade.
“Quis perceber como é que estas diversas gerações de escritores moçambicanos têm estado a representar esta figura e qual seria a aplicação didáctica destes textos sobre o Magaíza”, afirmou.
A pesquisa identifica mudanças significativas na construção desta personagem ao longo do tempo. Uma das conclusões é o reforço do papel da mulher nas narrativas mais recentes, onde deixa de ser uma figura secundária para assumir um lugar de coprotagonista.
Contudo, é na área da educação que o investigador considera estar a principal contribuição da tese.
Segundo o pesquisador, o ensino da língua portuguesa em Moçambique afastou-se progressivamente da literatura, privilegiando textos institucionais e exercícios gramaticais, uma opção que, na sua perspectiva, tem consequências na qualidade da aprendizagem.
“Estamos a substituir textos literários por temas transversais e textos institucionais. Isto tem impacto no processo de ensino da língua portuguesa”, defendeu.
Para o académico, a literatura não deve servir apenas para ensinar regras gramaticais, mas para formar cidadãos críticos.
“O texto literário não deve estar apenas ao serviço da gramática. A nossa perspectiva é olhar para a linguagem como um fenómeno social e formar melhores cidadãos.”
Na investigação, o autor sustenta que o afastamento dos textos literários das salas de aula contribui para as dificuldades de leitura, interpretação e comunicação observadas entre muitos estudantes que chegam ao ensino superior.
“Temos estado a receber estudantes que não têm domínio da língua portuguesa e competências básicas da própria língua.”
Outra conclusão apontada pela tese é que os programas escolares continuam excessivamente centrados em autores das décadas de 1950, 1960 e, em menor medida, dos anos 80, deixando praticamente ausentes os escritores da chamada “geração 21”.
Para Manjate, esta realidade impede que o ensino acompanhe as transformações sociais e culturais do país.
“Os textos da nova geração praticamente não existem nos nossos manuais. É uma lacuna grave.”
O investigador defende uma reforma curricular que valorize mais a literatura moçambicana contemporânea e incentive uma abordagem mais participativa nas aulas, colocando o aluno no centro da construção do conhecimento.
Além das conclusões académicas, Manjate partilhou o percurso pessoal até à obtenção do grau de doutor. Sem beneficiar de bolsa de estudos, conciliou a investigação com a actividade docente e suportou integralmente os custos da formação.
“Fui uma das vítimas desta nova dinâmica de atribuição de bolsas. Tive de arcar com todas as despesas inerentes à minha formação.”
Reconhece que o apoio da família foi decisivo para alcançar o resultado.
“O suporte familiar foi extremamente fundamental. Houve muitos sacrifícios, noites sem dormir e compromissos familiares adiados.”
Depois da classificação máxima, o investigador afirma sentir que a responsabilidade aumenta.
“A palavra agora é responsabilidade. Continuar a investigar com maior rigor para produzir conhecimento válido para Moçambique, para África e para o mundo.”
Os próximos passos passam por aprofundar o estudo da figura do Magaíza noutras formas de expressão artística, como a música, o cinema, a fotografia e as artes plásticas, bem como analisar a forma como esta personagem é representada na África do Sul, destino histórico da migração mineira moçambicana.
Com a nota máxima atribuída pelo júri, a investigação de Lucílio Orlando Manjate junta-se ao restrito conjunto de teses distinguidas com 20 valores, propondo uma reflexão sobre o ensino da língua portuguesa e defendendo o regresso da literatura ao centro da formação dos estudantes moçambicanos.
Manjate destacou igualmente o papel desempenhado pela Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) ao longo do processo de doutoramento, considerando que o ambiente académico e o apoio institucional foram determinantes para a conclusão da investigação. Segundo o investigador, a universidade garantiu o acompanhamento necessário em todas as etapas da formação, desde os procedimentos administrativos até à defesa da tese.
“A UP-Maputo desempenhou um papel absolutamente crucial, por me acolher e por permitir que todo o processo decorresse sem sobressaltos. Trabalhei com professores excelentes e encontrei uma dinâmica burocrática que nos dá conforto”, afirmou, acrescentando que recomenda o programa de doutoramento a outros investigadores interessados em prosseguir a formação avançada.
O Anfiteatro Paulus Gerdes da Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) acolheu na manhã de sexta-feira (10), uma aula aberta subordinada ao tema "História de Vida Pastoral", orientada pelo Arcebispo de Maputo, Dom João Carlos Hatoa Nunes. A iniciativa teve como objectivo prestar homenagem e reconhecer o percurso do Arcebispo pelos 15 anos de Segregação Episcopal a servir a comunidade e contribuir para uma sociedade mais justa e humana.
Na ocasião, o reitor da UP-Maputo, Prof. Doutor Jorge Ferrão, disse que as universidades não se constroem apenas com ciência e investigação mas, com exemplos de vida e com testemunhos de serviço antes da liderança e a união, antes da divisão, e que a presença do Arcebispo representa serviço, humildade, proximidade e diálogo. "A liderança serena de Dom João Carlos mostra-nos que a verdadeira autoridade nasce do exemplo e que a grandeza de um líder se mede pela forma como serve a comunidade”, referiu Ferrão.
Num tempo em que o mundo enfrenta divisões e incertezas, as vozes que defendem a paz, a reconciliação, a solidariedade e a dignidade humana são cada vez mais necessárias. “São necessárias como o ar que respiramos”, sublinhou o reitor.
Durante a sua intervenção, Dom João Carlos partilhou memórias sobre a sua formação e vocação pastoral. Destacando que a sua vocação surgiu no contacto com a comunidade, no serviço ao próximo e na alegria de dar a vida pelos outros. “A minha vocação não surgiu num momento repentino nem por uma experiência extraordinária, mas no interior de uma comunidade cristã de pessoas simples que me ensinaram a beleza de Deus e o serviço aos outros, acrescentou o Arcebispo.
O Arcebispo defendeu que a sua vida episcopal assenta nas escrituras de São Lucas 22:27 “estou no meio de vós como aquele que serve”, pois é servindo que eu me realizo. “A minha vida pastoral pode ser resumida nesta convicção, a vida encontra o seu sentido quando se transforma em dedicação, doação e serviço”, concluiu Dom Carlos.
A aula aberta ficou igualmente marcada por um momento cultural protagonizado pela Tuna Académica da UP-Maputo. O evento reuniu membros do corpo sacerdotal, directores de faculdades, docentes, funcionários e estudantes.
Por:
Elisabeth Macondzo, Xiluva Rosa e Daniel Bila (fotos)
GCI-UPM








Conhecimento que transforma, inovação que aproxima e extensão que impacta. Apresentamos a segunda edição de O Educando, o jornal que reflete o compromisso da Faculdade de Educação e Psicologia com a transformação social.
A Escola Primária Unidade 30, na Cidade de Maputo, recebeu material informático no âmbito do Projecto Diligence, uma iniciativa da Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) e parceiros internacionais, que visa fortalecer as capacidades tecnológicas e promover a inclusão digital naquela instituição de ensino primário. O evento decorreu na segunda-feira, 22 de Junho, e contou com a presença do Reitor da UP-Maputo Prof. Doutor Jorge Ferrão, a Coordenadora do Projecto Diligence Prof. Doutora Sarita Henriksen e o Prof. Doutor Manuel Zunguze ponto focal do Projecto Diligence. Do lado da Escola Unidade 30 o director da escola Alexandre Senda fez-se acompanhar de um grupo representativo de professores visivelmente satisfeitos com a oferta.
O equipamento entregue à Unidade 30 é composto por dois computadores, impressora e uma antena da Starlink com um ano de subscrição paga.
Na ocasião, Alexandre Senda agradeceu o apoio indicando que o material vai contribuir para melhoria do processo de ensino e aprendizagem, proporcionando melhores condições de acesso às tecnologias de informação e comunicação aos professores e alunos.
Por sua vez o reitor Jorge Ferrão sublinhou o compromisso da UP-Maputo com o desenvolvimento da educação e com a promoção da literacia digital nas escolas enfatizando a importância de parcerias e projectos que contribuam para a modernização do sistema educativo, e destacou ainda a importância do material disponibilizado no reforço das actividades pedagógicas e administrativas da escola e incentivou, igualmente, a utilização das tecnologias.
A coordenadora do Projecto Diligence, Sarita Herinksen, referiu que a iniciativa procura criar oportunidades para que as escolas tenham acesso aos recursos tecnológicos capazes de potenciar a qualidade de ensino e preparar os alunos para os desafios da era digital.
A entrega do material informático representa mais um passo no fortalecimento da cooperação fruto do memorando assinado entre a UP-Maputo e a Escola Primária Unidade 30, contribuindo para a criação de um ambiente moderno, inclusivo e adequado às exigências actuais da educação, destacando as práticas pedagógica realizadas na escola.
Na ocasião Jorge Ferrão, Reitor da UP-Maputo, assinou o livro de honra da Escola Unidade 30.
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GCI-UPM
Com o objectivo de firmar alianças capazes de redefinir o mercado de trabalho e impulsionar o empreendedorismo juvenil, a Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo), recebeu, nesta quinta-feira (18), a visita da Fundação Dom Cabral (FDC), Escola de Negócios Brasileira.
O encontro entre a UP-Maputo e a FDC marca o início de uma parceria voltada para o estreitamento de laços e a criação de pontes práticas de formação para líderes empresariais e pequenos empreendedores locais, uma iniciativa que visa promover o intercâmbio científico e cultural entre as duas comunidades académicas.
Na ocasião, a vice-reitora da UP-Maputo, Prof.ª Doutora Leonilda Sanveca, destacou a relevância da visita da FDC para o fortalecimento do ensino superior em Moçambique, um encontro que ocorre num momento em que a universidade busca reforçar as suas relações bilaterais e a mobilidade académica.
"Uma das nossas maiores metas é criar planos estratégicos que reforcem o intercâmbio entre o Brasil e Moçambique. Além disso, pretendemos fortalecer a mobilidade de docentes e estudantes, assim como a divulgação de projectos de pesquisa, extensão e empreendedorismo", referiu a Vice-Reitora.
Durante o encontro, o presidente da FDC, Dr. António Batista, reafirmou o compromisso da organização com o desenvolvimento socioeconómico de instituições de ensino, empresas e municípios, conectando a teoria à prática. "Capacitamos estudantes e executivos nas áreas de ensino, pesquisa e extensão", afirmou a fonte, acrescentando que a organização actua em parceria com empresas e centros de gestão pública e privada, desenvolvendo projectos para municípios, províncias e cidades.
Por outro lado, a Dra. Viviane Barreto, vice-presidente de Engajamento Global e Desenvolvimento Institucional da FDC, sublinhou que não existe concorrência entre os preceitos de uma instituição de ensino superior e os de uma business school (escola de negócios). "Queremos criar uma conexão entre a academia e a prática, oferecendo programas executivos alinhados com os campos de pesquisa que a UP-Maputo já oferece", assegurou Barreto.
De acordo com o Dr. José Manuel Luís, do Gabinete de Cooperação, a UP-Maputo através do Centro de Apoio à Investigação e Pesquisa, está no processo de criação de uma escola de negócios. A nova unidade vai responder aos desafios do sector público e privado, bem como da sociedade em geral.
Em Moçambique, a FDC tem actuado desde 2024, contribuindo activamente na formação de executivos e de pequenos empreendedores. Globalmente, a organização conta com um conselho de líderes composto por membros de mais de 20 nacionalidades, provenientes de empresas, universidades, sector público e organizações não-governamentais do Brasil e do mundo.(X)
Por:
GCI-UPM
A participação da Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) no Fórum dos Reitores das Instituições do Ensino Superior da China e dos Países de Língua Portuguesa, em Macau, resultou na assinatura de novos instrumentos de cooperação académica com instituições da China, Macau, Cabo Verde e Brasil.
A margem do encontro, a UP-Maputo rubricou Memorandos de Cooperação multilateral com a Universidade da Cidade de Macau, a Universidade de Cabo Verde e a Universidade de Comunicação da China. Os instrumentos visam aprofundar a cooperação e o intercâmbio na área da educação, abrindo espaço para iniciativas conjuntas de formação, mobilidade académica, partilha de experiências institucionais e desenvolvimento de projectos colaborativos.
A assinatura destes memorandos representa mais um passo na aproximação entre instituições de ensino superior dos países de língua portuguesa e universidades chinesas, reforçando o papel de Macau como plataforma de diálogo académico, científico e cultural entre a China e o espaço lusófono.
Ainda em Macau, a UP-Maputo formalizou um Acordo Geral de Cooperação Académica Internacional com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), do Brasil. Este entendimento dá continuidade aos contactos iniciados durante o I Fórum de Reitores Brasil-África, realizado em Brasília, onde as duas instituições identificaram áreas de interesse comum e manifestaram vontade de transformar o diálogo institucional em acções concretas.
O acordo com a UFRN estabelece uma base ampla de cooperação académico-científica e cultural, prevendo intercâmbio de docentes, estudantes e técnicos administrativos, constituição de grupos de trabalho, desenvolvimento conjunto de projectos, organização de eventos académicos, científicos e culturais, realização de cursos, consultoria técnica, intercâmbio de publicações e facilitação do acesso a infra-estruturas informacionais e laboratoriais.
Entre os interesses convergentes identificados pelas duas universidades destaca-se a possibilidade de trabalho conjunto nas áreas ligadas ao sector de óleo e gás, campo estratégico para Moçambique e igualmente relevante para a experiência académica e científica da UFRN. A cooperação nesta área poderá favorecer a mobilização de investigadores, a definição de linhas prioritárias de investigação aplicada, a formação especializada e a aproximação entre conhecimento universitário, desenvolvimento tecnológico e necessidades nacionais.
Para a UP-Maputo, a assinatura destes instrumentos confirma a importância de transformar encontros internacionais em resultados concretos, capazes de gerar oportunidades para estudantes, docentes e investigadores, bem como de reforçar a capacidade institucional da Universidade.
Com estas parcerias, a UP-Maputo amplia a sua rede internacional de cooperação e reafirma o seu compromisso com uma internacionalização orientada para a formação, investigação, inovação e desenvolvimento sustentável.
Por:
Alves Manjate, colaboração.
GCI-UPM
Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Prof. Doutor Jorge Ferrão, participa, de 15 a 17 de Junho de 2026, em Macau, Região Administrativa Especial da República Popular da China, na 4.ª Edição do Fórum dos Reitores das Instituições do Ensino Superior da China e dos Países de Língua Portuguesa.
O Fórum decorre em simultâneo com o 35.º Encontro Anual da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), reunindo dirigentes universitários, académicos e representantes de instituições de ensino superior da China, de Macau e dos países lusófonos, num espaço de diálogo sobre cooperação académica, científica, cultural e institucional.
Na sua intervenção, Jorge Ferrão abordou o tema das relações interuniversitárias como ponte para a cooperação científica e cultural internacional entre Macau–Hengqin e os países de língua portuguesa, defendendo que as universidades são hoje chamadas a desempenhar um papel estratégico na resposta aos grandes desafios globais, incluindo as mudanças climáticas, a segurança alimentar, as migrações, as pandemias, a inteligência artificial e as desigualdades sociais.
Segundo o Reitor da UP-Maputo, as relações interuniversitárias deixaram de ser uma dimensão complementar da vida académica, passando a constituir uma componente essencial da missão das instituições de ensino superior. Para Jorge Ferrão, nenhuma universidade possui, isoladamente, todos os recursos e competências necessários para responder aos desafios contemporâneos, razão pela qual as redes de cooperação se tornam fundamentais para fortalecer o ensino, ampliar a investigação científica e aumentar o impacto social das universidades.
Na sua comunicação, o Reitor destacou o papel singular de Macau–Hengqin como plataforma estratégica de cooperação internacional. Sublinhou que Macau, pela sua história, localização e vocação intercultural, constitui um espaço privilegiado de encontro entre a China e os países de língua portuguesa. Integrada na Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau, a região apresenta-se como um importante polo de inovação tecnológica, investigação científica e desenvolvimento económico, capaz de aproximar universidades da China, de África, da América Latina, da Europa e da Ásia.
Jorge Ferrão enfatizou, igualmente, a importância da língua portuguesa como instrumento de aproximação entre povos, culturas e instituições. Com mais de 260 milhões de falantes distribuídos por quatro continentes, a língua portuguesa foi apresentada como património cultural partilhado e vantagem estratégica para a cooperação universitária, a produção científica conjunta, a mobilidade académica e o diálogo intercultural.
No domínio da cooperação científica para o desenvolvimento sustentável, o Reitor da UP-Maputo apontou áreas prioritárias em que a colaboração entre Macau–Hengqin e os países de língua portuguesa pode gerar resultados concretos, nomeadamente a formação de professores, as tecnologias digitais, a inteligência artificial, a agricultura sustentável, a segurança alimentar, as energias renováveis, a gestão ambiental, a economia azul, o planeamento urbano sustentável, a diversidade linguística e a inclusão social.
Referindo-se à experiência da UP-Maputo, Jorge Ferrão afirmou que a instituição tem vindo a consolidar uma visão estratégica de internacionalização assente na cooperação, na reciprocidade e na construção conjunta de conhecimento. Para Ferrão, as parcerias internacionais mais bem-sucedidas são aquelas construídas com base no respeito mútuo, na confiança institucional e na definição de objectivos comuns.
Falando para um vasto auditório que conta com a presença dos Reitores da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Univerdidade Rovuma (UniRovuma), Universidade Save (UniSave) e outros quadros de instituições de ensino superior de Mocambique, Ferrão defendeu que a cooperação internacional não deve ser entendida apenas como mobilidade académica, mas como ferramenta para reforçar capacidades institucionais, promover a excelência científica e contribuir para o desenvolvimento das sociedades. Nesse sentido, manifestou o interesse da UP-Maputo em aprofundar relações académicas com universidades de Macau–Hengqin e com outras instituições dos países de língua portuguesa.
Apesar das oportunidades existentes, Jorge Ferrão chamou a atenção para desafios que ainda limitam uma cooperação universitária mais robusta, entre os quais as restrições de financiamento, as assimetrias de capacidade institucional, as barreiras linguísticas e tecnológicas, a necessidade de maior articulação entre investigação e políticas públicas, bem como a sustentabilidade dos programas de cooperação a longo prazo.
Na conclusão da sua intervenção, o Prof. Doutor Jorge Ferrão reafirmou que as universidades são, por natureza, instituições de diálogo, encontro e construção colectiva do conhecimento. Ao fortalecerem os laços entre Macau–Hengqin e os países de língua portuguesa, as instituições de ensino superior estarão a investir não apenas na cooperação académica, mas também na construção de um futuro comum assente no conhecimento, na inovação e no respeito pela diversidade cultural e linguística.
A participação da Universidade Pedagógica de Maputo neste Fórum reforça o compromisso da instituição com a internacionalização, a cooperação científica, a mobilidade académica e a valorização da língua portuguesa como espaço de conhecimento, inovação e desenvolvimento sustentável.
Por:
Alves Manjate, colaboração.
Uma equipa formada por três estudantes universitários moçambicanos conquistou a terceira posição da fase global do programa Huawei ICT Competition 2025 -2026, o único em dez anos que decorreu no passado dia 05 de Junho em Shenzhen-China. São integrantes do grupo, na “Track Cloud”, o estudante do quarto ano do curso de licenciatura em Informática Aplicada, na Faculdade de Engenharias e Tecnologias (FET) da Universidade Pedagógica de Maputo (UPM), Nério João Jamisse, de 20 anos de idade, Neyla Mussá da Escola Superior de Aeronáutica e Walter Salgado do Instituto Superior de Transportes e Comunicação.
Falando em representação da equipa moçambicana, Nério Jamisse mostrou-se orgulhoso por trazer o bronze para o país, realçando que o terceiria lugar tem um sabor de vitória “é um sentimento de missão cumprida, de que para talentos não há fronteiras, de poder motivar aos jovens moçambicanos que eles também podem competir com os melhores do mundo”.
ICT-Competition é um programa anual da Huawei, direccionado aos estudantes universitários ligados aos cursos de tecnologias e comunicação a nível do mundo e, visa a criação de estratégias para apresentar talentos. Os estudantes moçambicanos estiveram a competir no dia 02 de Junho, com mais de quarenta equipas a nível global, num exame que teve duração de nove horas.
A estadia de uma semana dos estudantes moçambicanos na China seguiu um programa minucioso da Huawei, que envolveu a abertura do evento, a realização da competição, apresentações de painéis, visita aos locais culturais e a sede da Huawei, culminando com a cerimónia de premiação aonde foram anunciados os vencedores do programa, que contou no todo com a participação de mais de duzentos e vinte mil estudantes a nível do mundo.
Por: Taualia Neuara


A Faculdade de Ciências Naturais e Matemática promoveu na terça-feira, 09 de Junho, um seminário sobre metodologias inovadoras para o ensino de Matemática, reunindo docentes, estudantes, professores das escolas primárias e secundárias, formandos dos institutos de formação de professores e especialistas da universidade de Naruto do Japão.
Na abertura do evento, o reitor da UP-Maputo, Prof. Doutor Jorge Ferrão, destacou a importância da parceria com a Universidade de Naruto na criação e adaptação de metodologias inovadoras de ensino de matemática. Segundo Ferrão, esta abordagem visa tornar a disciplina mais atractiva e acessível aos estudantes, contribuindo para a formação de professores capazes de responder aos desafios actuais da educação. Por sua vez, o representante da JICA Moçambique, Otsuka Kazuki, alertou para a necessidade de se investir na qualidade de ensino da Matemática no país.
Representantes do Instituto Nacional de Desenvolvimento da Educação (INDE), e da Universidade Naruto apresentaram os avanços alcançados na introdução de metodologias participativas no ensino da matemática, abordagens que privilegiam a resolução de problemas do cotidiano dos alunos, permitindo que o conhecimento seja construído a partir de soluções reais e relevantes para o seu contexto.
Na ocasião, a Prof. Doutora Herieta Massago explicou que a cooperação entre a UP-Maputo, a JICA, a Universidade Naruto e o INDE têm permitido a partilha de experiências sobre o ensino da Matemática e o desenvolvimento de matérias didácticas. Destacou igualmente a participação dos professores da universidade japonesa, Kusaka Satoshi e Matusi Yasuro, que partilharam experiências sobre as metodologias utilizadas no Japão e o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no apoio à produção dos manuais de matemática do ensino primário em Moçambique. A docente sublinhou que o seminário dá continuidade aos debates iniciados em encontros anteriores e tem como objectivo fortalecer a cooperação entre as instituições parceiras promovendo a melhoria da qualidade do ensino da matemática no país.
Para o corpo docente urge a necessidade de modernizar as práticas pedagógicas reduzindo o receio que o estudante tem para com a Matemática e promovendo métodos de ensino mais dinâmicos e eficazes, a importância da formação contínua dos professores e da utilização de estratégias inspiradoras na experiência japonesa.
O evento reafirmou o compromisso da UP-Maputo, do INDE, da JICA e da Universidade de Naruto com a formação de professores e o desenvolvimento de práticas inovadoras, centradas nas necessidades dos alunos e nas melhorias dos resultados de aprendizagem. (X)
Por:
GCI-UPM









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